Câncer de cabeça e pescoço: conheça a doença por trás do Julho Verde

O que é câncer de cabeça e pescoço?

Câncer de cabeça e pescoço é um termo genérico que reúne uma série de tumores malignos que podem aparecer na região da cabeça e do pescoço, como: boca, laringe, nariz, seios nasais, pescoço e tireoide.


Esses tipos de cânceres ocorrem predominantemente em homens acima de 40 anos (1), porém devido a ser um agrupamento de tumores, eles podem ter incidências diferentes.

Mulher deitada em uma maca fazendo ultrassom de pesqcoço com mão do médico segunrando o US

Qual a frequência de casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil?

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) a previsão para o ano de 2022 é de surgirem 36.620 novos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil, sendo 19.480 em homens e 17.140 em mulheres (2).


No Brasil, em 2019, segundo dados do INCA, foram 20.722 mortes por esses cânceres. Em média, 76% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, dificultando o tratamento, além de elevar a taxa de mortalidade. Quando o diagnóstico é realizado na fase inicial, o paciente tem, em média, 80% de chance de cura, por isso a importância do diagnóstico precoce.


Quais são os sintomas desses tipos de câncer?

Por ser um termo genérico que engloba diversos tipos de tumores, os sintomas são variados e nem sempre fortes indicativos, eles podem incluir o aparecimento de um nódulo, uma ferida que não cicatriza, dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir e alterações na voz ou rouquidão. Entretanto, esses sintomas também podem ser causados por outras condições clínicas. Fique atento e sempre procure um médico para lhe orientar de forma correta.


Como posso me prevenir?

A prevenção inclui hábitos saudáveis. O tabagismo e o excesso de álcool são grandes fatores de risco sendo responsáveis por 70% dos casos dessa neoplasia. Por isso, a principal forma de prevenção é evitar o consumo de álcool e produtos do tabaco. Além disso, o uso do protetor solar é muito importante porque os raios solares também podem serem causadores de câncer. A infecção pelo HPV é outro fator de risco para esse tipo de câncer como também: má higiene dental, oral, refluxo gastroesofágico e infecções pelo vírus Epstein-Barr (EBV). (3).


Dentro dos cânceres que englobam o termo cabeça e pescoço o câncer de tireoide é um dos de maior incidência

A previsão para o ano de 2022 é de que tenha 13.780 novos casos de câncer de tireoide, sendo 1.830 em homens e 11.950 em mulheres.


E o que é o câncer de tireoide?

O câncer de tireoide é a forma de câncer endócrino mais frequente (4) e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas. Afeta mais as mulheres do que os homens, a faixa etária de maior risco é entre 35 e 65 anos. É um câncer de baixa mortalidade, dados de 2020 do Atlas de Mortalidade por Câncer (5) indicam que as mortes de câncer de tireoide representam 0,37% do total de mortes por câncer no Brasil no ano, sendo 837 mortes, 288 homens e 549 mulheres.


O termo câncer de tireoide, reúne alguns tipos diferentes de tumores, cada um tem suas características, riscos e frequências diferentes. Os principais cânceres da tireoide estão resumidos na tabela abaixo:

Câncer

Frequência (%)

Carcinoma papilífero

75-85

Carcinoma folicular

10-20

Carcinoma pouco diferenciado

2-7

Carcinoma indiferenciado

1-2

Carcinoma medular

3-5

Linfoma primário da tireoide

1-5

Adaptada de: Martins-Filho S, Mello E, Alvez V. patologia da tireoide. 2017 (6)

Sinais e sintomas de um câncer na tireoide

A presença de um nódulo na tireoide, normalmente não é indicação de câncer, pois estes são comuns e cerca de 90% desses nódulos são benignos (7). Porém em alguns casos apresentar nódulos pode ser um fator de atenção para o médico. Fatores como histórico familiar de câncer da tireoide, ou um nódulo que apresenta crescimento rápido são considerados suspeitos e podem requerer exames mais detalhados.


Na maioria das vezes nódulos são assintomáticos, sendo encontrados por acaso em exames de rotina, ou por razões clínicas não relacionadas a ele, porém em casos mais avançados podem haver alguns sintomas como: gânglios linfáticos aumentados no pescoço, rouquidão, sensação de falta de ar e dificuldade em engolir alimentos. Detectar precocemente um tumor possibilita maior chance de tratamento, mesmo que na maior parte das vezes um nódulo de tireoide não seja maligno, é importante a avaliação de um médico.


Como é realizado o diagnóstico de câncer de tireoide?

Em muitos casos o nódulo é encontrado por acidente, em outros exames não relacionados, visto que a maioria deles são assintomáticos.

O diagnóstico é normalmente feito após realização de ultrassonografia do pescoço em que é encontrado o nódulo. Conforme as características do nódulo, o médico pode solicitar a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), exame solicitado para a identificação de nódulos benignos, cancerosos ou suspeitos, em que o nódulo é classificado pelo sistema de Bethesda (8).


Uma conduta comum caso o nódulo seja classificado como indeterminado é a de realizar uma cirurgia diagnóstica, na qual é feita a remoção da tireoide (total ou parcial) e posterior análise histológica do material para determinar se o nódulo era realmente benigno ou maligno. O que ocorre é que 77% dos nódulos analisados são reclassificados como benignos após a cirurgia, ou seja, não havia a necessidade de retirada da glândula na grande maioria das vezes.


É neste cenário que os testes moleculares entram como uma opção, pois são capazes de identificar, antes da cirurgia, se o nódulo da tireoide é potencialmente benigno ou maligno. Nos casos com resultado negativo para malignidade, não há a necessidade de uma cirurgia, poupando assim retirada da tireoide, nossa principal glândula endócrina. Estes testes são recomendados, para casos de nódulos indeterminados (Bethesda III e IV), por diretrizes clínicas nacionais e internacionais (9, 10, 11). Converse com o seu médico se esta pode ser uma opção para o seu caso!


Qual o tratamento?

O tratamento mais comum do câncer de tireoide é normalmente cirúrgico. O cirurgião pode realizar a tireoidectomia (retirada da tireoide) total ou parcial em alguns casos específicos (12). Em casos mais avançados, pode haver a necessidade de esvaziamento e retirada de linfonodos vizinhos a tireoide. Alguns casos, ainda em fase de estudos e validação, podem ser tratados com Ablação por Radiofrequência ou ainda serem apenas observados, em protocolos específicos de Vigilância Ativa. Como você pode notar, existem muitas variáveis e opções. A cirurgia dependerá das características do nódulo, do tipo de tumor, de sua localização e de alterações moleculares que esse tumor possa apresentar.

Os testes moleculares também podem auxiliar o seu médico na decisão do melhor tratamento para você, incluindo a urgência e a extensão da cirurgia.


Como ter uma cirurgia mais bem planejada e personalizada?

O momento cirúrgico é sempre delicado, cada paciente tem a sua história, cada cirurgia tem o seu contexto, assim um pré-operatório mais assertivo e bem informado é essencial para o paciente nesse momento.

Dentro da nossa plataforma de testes temos o mir-THYpe® pre-op, um painel molecular prognóstico pré-operatório para nódulos cirúrgicos (normalmente, Bethesda V ou VI) que oferece informações que irão auxiliar o médico no planejamento da extensão e da urgência cirúrgica de forma personalizada.


Visando um menor desconforto ao paciente, todos os exames mir-THYpe® podem ser realizados sem a necessidade de uma nova PAAF (punção aspirativa por agulha fina).

Usualmente indicado para nódulos Bethesda V ou VI, o mir-THYpe® pre-op também pode ser utilizado em outros nódulos, desde que com decisão/indicação cirúrgica tomada. É importante frisar que este exame não visa diferenciar se um nódulo é benigno ou maligno (como o mir-THYpe® full faz). Sua aplicação é para pacientes que já têm indicação cirúrgica. Caso o médico e o paciente desejem uma análise molecular para um nódulo indeterminado com a intenção de evitar uma possível cirurgia, indicamos a utilização do nosso exame mir-THYpe® full.


Quero saber mais!


Atenção: Este é um material informativo e não substitui a consulta médica.


Referências:

(1) INCA - Institudo Nacional do Câncer https://www.inca.gov.br/imprensa/inca-promove-campanha-de-prevencao-ao-cancer-de-cabeca-e-pescoco

(2) SBCCP - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço https://sbccp.org.br/julhoverde/estimativa-de-cancer-em-2022/

(3) Lima MAP de, Rabenhorst SHB. Associação do vírus Epstein-Barr (EBV) com tumores sólidos. Rev. Bras. Cancerol. 52(1):87-96. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/1912

(4) VOLPI, E. Câncer da Tireoide. 1ª edição. São Paulo: Europa Press, 2021

(5) Ministério da Saúde - Sistema de informações sobre mortalidade (SIM) - Atlas de Mortalidade. - https://www.inca.gov.br/app/mortalidade

(6) Martins-Filho S, Mello E, Alves V. Patologia da tireoide. In: Maciel RMB, Mendonça, BB, SAAD MJ. A Endocrinologia: princípios e práticas. Rio de Janeiro: Atheneu; 2017.

(7) American Thyroid Association. https://www.thyroid.org/thyroid-nodules/

(8) The 2017 Bethesda System for Reporting Thyroid Cytopathology | Thyroid- https://www.liebertpub.com/doi/full/10.1089/thy.2017.0500

(9) Rosário PW, et al. 2015 Arq Bras Endocrinol Metab. 2015;57(4):240-264

(10) Haugen BR et al. 2016.Thyroid 26: 1–133

(11) NCCN Thyroid Carcinoma Clinical Practice Guidelines, v1.2019

(12) INCA - Instituto Nacional do Câncer - https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-tireoide

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