Nódulo de tireoide benigno e maligno: quais as diferenças?

O que é um nódulo de tireoide?

Um nódulo de tireoide é uma massa de células que cresceu ou um cisto cheio de líquido que se forma na tireoide. A condição é comum e aparece com mais frequência à medida que a pessoa envelhece. Vamos entender como um nódulo de tireoide pode afetar o corpo.


Tenho nódulo de tireoide, e agora?

Embora os sintomas não sejam comuns, um nódulo grande pode, às vezes, causar dor, rouquidão ou atrapalhar a engolir, ou respirar. Os médicos se preocupam com um nódulo de tireoide porque ele pode, às vezes, ser canceroso.



O câncer de tireoide é encontrado em cerca de 8% dos nódulos nos homens (8 em cada 100) e em 4% dos nódulos em mulheres. Assim, cerca de 90% dos nódulos de tireoide são benignos (1).


Segundo a American Cancer Society, a causa da maioria dos nódulos de tireoide benignos não é conhecida, mas eles são, muitas vezes, encontrados em membros de uma mesma família. Em âmbito mundial, a deficiência de iodo na dieta é uma causa muito comum do problema (2).


Como saber que um nódulo de tireoide é benigno ou maligno? Existem algumas diferenças apontadas em exames específicos. Vamos entender.


Como se determina o tipo de nódulo de tireoide?

A maioria dos nódulos da tireoide é encontrada durante um exame físico de rotina.

Uma vez detectado o problema, o médico realizará testes de laboratório para saber se o nódulo é hiperfuncionante (produtor de muito hormônio tireoideano, chamado de “nódulo quente”) ou hipofuncionante (não produtor de hormônio tireoideano, chamado de “nódulo frio”).


No entanto, apenas esses testes não são suficientes para descartar um câncer de tireoide. Para reunir mais informações sobre o nódulo, o médico pode solicitar um ou mais dos seguintes exames¹:

  • Ultrassonografia da tireoide: é realizada para obter um retrato exato da tireoide e ver se o nódulo é sólido ou preenchido com fluido (cisto). Embora esse exame não possa garantir se o nódulo é maligno ou benigno, é muito útil para guiar a punção aspirativa por agulha fina.

  • Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): usa-se uma agulha fina para remover células ou amostras de fluido do nódulo. Esse teste é muito útil para a identificação de nódulos benignos, cancerosos ou suspeitos.


O que diz que um nódulo de tireoide é benigno ou maligno?


São as características ultrassonográficas do nódulo que direcionarão para o caráter maligno ou benigno do nódulo e a necessidade ou não de se fazer a PAAF.


O resultado da PAAF é categorizado de acordo com o Sistema Bethesda para laudos citopatológicos de tireoide, com a seguinte correlação entre categoria diagnóstica e interpretação clínica (3):

Categoria diagnóstica

Significado

I

Amostra não diagnóstica

II

​​Benigno

III - indeterminado

Atípicas/Lesão folicular de significado indeterminado.

IV - indeterminado

Suspeito para neoplasia folicular ou Neoplasia Folicular.

V

Suspeito para malignidade

VI

Maligno

O relatório de uma PAAF geralmente indica um dos seguintes achados:

O nódulo é benigno (não canceroso):

Resultado obtido em até 60% das biópsias. Geralmente, os nódulos de tireoide benignos não precisam ser removidos, a menos que estejam causando sintomas como dificuldade respiratória, dificuldade na deglutição ou alguma queixa estética. Caso o nódulo cause algum sintoma, uma opção de tratamento não cirúrgico é a Ablação por Radiofrequência.


O nódulo é maligno (canceroso) ou suspeito para malignidade:

Resultado obtido em cerca de 7% das biópsias e, na maioria das vezes, é devido ao carcinoma papilífero, que é o tipo mais comum de câncer de tireoide. Esses diagnósticos geralmente exigem remoção cirúrgica da tireoide. Mas novos tratamentos estão sendo estudados e avaliados, como a Ablação por Radiofrequência e a Vigilância Ativa.


O nódulo é indeterminado (Bethesda III ou IV):

Esse diagnóstico pode ocorrer em até 30% dos casos e significa que, mesmo que um número adequado de células tenha sido retirado durante a PAAF, o exame microscópico não pode classificar de forma confiável o resultado como benigno ou câncer. Estes nódulos são cancerosos em apenas 20 – 30% dos casos (2).


Uma conduta comum sugere que o diagnóstico preciso de um nódulo de tireoide indeterminado só poderia ser realizado por cirurgia. O procedimento consiste na remoção apenas do lado da tireoide com o nódulo ou de toda a glândula. Mas isso é algo que pode ser desnecessário, pois a grande maioria desses nódulos são benignos (quase 80%!). Veja como uma conduta tão radical pode ser evitada.


Como evitar uma cirurgia potencialmente desnecessária?

Até 84% dos nódulos de tireoide indeterminados submetidos à cirurgia são reclassificados como benignos após a cirurgia (4) . Evitar procedimentos cirúrgicos potencialmente desnecessários é sempre recomendado. Afinal, por mais simples que seja, toda cirurgia envolve riscos.


Em se tratando de nódulo de tireoide de diagnóstico indeterminado, já é possível contar com testes moleculares que utilizam inteligência artificial para isso. A plataforma mir-THYpe foi desenvolvida pela Onkos em parceria com o Hospital do Câncer de Barretos, referência em diagnóstico e tratamento de tumores de tireoide na América Latina, e usa inteligência artificial para diagnosticar de forma robusta e confiável a natureza do nódulo na tireoide.


A conduta do médico diante de um resultado negativo no teste molecular é similar a de um resultado benigno na punção: geralmente não há necessidade de cirurgia e o nódulo pode ser apenas acompanhado. Já quando o resultado é positivo, os dados genéticos apresentados ajudam o médico a decidir qual o melhor tratamento, a extensão e a urgência da cirurgia. É uma técnica muito mais personalizada e menos subjetiva.

Se você está nessa condição, vale a pena conhecer e conversar com seu médico sobre essa possibilidade!


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Referências:


(1) -American Thyroid Association. https://www.thyroid.org/thyroid-nodules/


(2) American Cancer Society. https://www.cancer.org/cancer/thyroid-cancer/about/what-is-thyroid-cancer.html


(3) Ministério da Saúde. https://aps.bvs.br/aps/como-proceder-diante-do-resultado-citologico-da-puncao-aspirativa-por-agulha-fina-paaf-de-um-nodulo-tireoidiano/


(4) Bongiovanni M, et al. 2012 Acta Cytologica


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